Você primeiro.

O que você pensaria se eu dissesse pode ir “você primeiro”. Concordaria e já sairia tomando a frente?  Ou se sentiria envergonhado e retribuiria com “não, vai você eu espero”. Citei apenas duas possiblidades dentre um leque infinito de respostas a esta situação. 

Em muitos momentos parece soar egoísta priorizar nossos interesses, nossos sentimentos, nossos pensamentos, para muitos a linha é tênue entre o auto amor e o narcisismo. Mas a vida tem dessas cordas bambas que somos convidados a caminhar todos os dias.

Pessoalmente sempre fui uma pessoa muito voltada a doar e muitas vezes aceitei pedidos que não gostaria de ter aceito, para não desagradar, para ser acolhido, para não frustrar. Momentaneamente a situação estava resolvida, mas sempre fica um resquício, de não ter me respeitado, e um dia a vida cobra isso, pode ter certeza que cobra. E essas marcas de não respeito a si vai matando as gotas de amor que poderíamos desenvolver por nós.

Tenho uma hipótese pessoal de quem muitas vezes fazemos isso devido a fantasia que precisamos ser perfeitos para ser aceito pelo outro, e o não pode soar como uma imperfeição. Nossa, como posso desagradar esse alguém, eu não tenho esse direito. Mas não paramos um segundo sequer para pensar, e eu? O que ficará disso para mim?   
Sabe aquele jargão “o não que você diz ao outro, muitas vezes é o sim que você diz a você?”, parece me soar uma leitura possível e plausível, precisamos mesmo colocar limites, precisamos mesmo nos salvar para posteriormente ofertar o que existe de significativo em nós. 

Gosto da palavra cuidado e o convido a pensar e se perguntar. Tenho cuidado de mim? Tenho respeitado meus interesses? Tenho me ofertado ao outro em demasia? Tenho me colocado de lado em detrimento de uma aprovação alheia? Pense nessas questões e seja capaz de dizer “sim eu vou primeiro”.
@rafaeldinizpsi
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