O intangível é explicado pelo dicionário como algo que não se pode tanger, tocar, pegar, algo intocável.
Mas eu, assim como você, tenho em minha mente um arsenal de informações que surgem quando penso em intangível. Quero falar sobre a minha visão sobre o termo e os galhos que se abrem para a minha imaginação.
Eu penso que nada material está dentro do intangível, mesmo que algo pareça distante da minha realidade, acredito que tudo é questão de foco, persistência e real desejo, afinal, querer algo de verdade é o primeiro passo para a conquista. Não me interprete mal, estou falando da minha visão e experiência, considerando os inúmeros privilégios que tive acesso, graças ao esforço de meus pais, talvez a minha verdade não se encaixe tão bem para outra pessoa, e tudo bem, este não é o foco deste texto.
Quero te levar para uma viagem, quero te colocar frente a frente com algumas de minhas linhas de raciocínio, sem a intenção de um destino real, dispensando a necessidade de uma conclusão ou a sempre esperada "moral da história".
Toda construção, passa por uma etapa de desconstrução, portanto, faço deste o primeiro galho para escalar a dentro das percepções que quero compartilhar com você.
Existem os falsos intangíveis, aqueles que eu mesmo posiciono longe de mim, mesmo que inconscientemente, em um processo de auto sabotagem.
Um exemplo disso é adquirir um novo hábito saudável. Sabemos que é possível, mas existem travas, amarras psicológicas que nos bloqueia. Encontrar o caminho para acessar a permanência em algo, muitas vezes não tem ligação com a própria coisa, mas sim com outros fatores que estão tão presentes em nossa vida que nem percebemos a existência, coisas que são como a energia elétrica, que é tão comum estar ali, que nem a percebemos até que ela falte.

Esta percepção me levou a adquirir um hábito muito bom ou muito ruim, quando eu penso em qualquer coisa, acabo por desenhar um mapa mental criando conexão entre o elemento e fatores que dependem dele ou possam atrapalhar, isso faz brotar diferentes óticas sobre o trajeto até chegar onde eu quero e observar as possíveis pedras no caminho. É muito bom porque consigo antecipar problemas e solucioná-los antes mesmo de acontecerem, muito ruim porque isso gera uma ansiedade que por muitas vezes trava todo o processo, eu fico preso no planejamento, mesmo sabendo que não tenho acesso aos reais problemas que vão acontecer, a ilusão de estar um passo a frente as vezes me coloca dois passos atrás. 
O segundo galho é sobre o mundo da imaginação, onde eu permaneço quase que a maior parte do meu dia. Este é o real intangível, e vem de mão dada com os sentimentos que se derivam de cada pensamento. 
Uma dificuldade clara que enfrento é a linha tênue entre a realidade do mundo e a minha realidade mental, quase que como se eu vivesse em um mundo paralelo, não que eu não goste da realidade como ela é, mas a minha realidade é mais colorida e muito mais atrativa do que campanhas de publicidade e disputas de ego.
Viver em busca da sincronicidade entre o que se passa em minha mente e coração e traduzir isso para o externo através da comunicação, aprender a lidar com a minha sensibilidade em perceber e observar conexões entre as atitudes e intenções das pessoas e elementos naturais que carregam a mesma carga conceitual, para criar símbolos únicos que as faça se sentir representadas. Entender qual a forma correta de se criar um filho, atingir o equilíbrio entre o necessário e o supérfluo. São portas da minha mente, cada uma que leva a uma sala, muito bem arquitetada e decorada com inúmeros pensamentos e reflexões.
Algumas salas, dividem paredes com outras, tendo janelas que as conectam, outras nem tanto.
Eu gosto do intangível, eu gosto do que ele me proporciona, mesmo que eu entenda a necessidade de se manter firme e com o pé no chão, busco permitir a conexão entre minha alma e os segredos da criação, como diria meu psicólogo, a minha busca pelo intangível é o principal combustível para a minha jornada.
E quem sabe, talvez, o mundo esteja ao contrário, a realidade não seja tão real e o que realmente importa é aprender com os pensamentos, sentimentos e principalmente com as trocas entre os seres que aqui habitam.
A busca por comunicar e traduzir é algo complexo, a partir do ponto que ela se trata de tornar algo interno acessível para o externo, isso implica em paradigmas que muitas vezes me consomem.
Um exemplo claro disso é eu querer encontrar um designativo que defina o posicionamento da colorbrand, gastei muita energia tentando encontrar as palavras certas ou que transmitissem a mensagem daquilo que fazemos, a idealização de encaixar em um rótulo algo que muitas das vezes nem eu mesmo entendo.
Mesmo dividindo a dificuldade em busca de novos pontos de vista, ainda não tenho a resposta pra isso, mas tenho comigo que é melhor gastar energia fazendo do que tentando explicar, possibilitando assim que cada pessoa que passe pelo processo tenha suas próprias conclusões e experiência.

Escritório de design experimental, onde experimental é uma daquelas palavras que não explicam muita coisa, mas trazem o mínimo de direcionamento para o que é.
Este foi meu primeiro texto colaborando para o nosso blog, mas eu gosto de escrever e pretendo trazer mais disso para cá. Isso tem relação com a busca por uma definição para mim mesmo, já me denominei designer de marcas, diretor de projetos, diretor de estratégia, relacionamento, entre outras coisas, mas nenhuma realmente falava tudo que eu precisava. Mas acredito que sou um Comunicador, que independente dos canais, tem a função de levar uma mensagem, embora abstrato, me representa e me trouxe conforto no coração, cessando, ao menos por agora, mais uma das minhas buscas.


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